Como sempre acontece em terras brasileiras, além de qualquer tecnologia já difundida no exterior demorar um longo período para chegar ao país, ainda assim os brasileiros já estão acostumados a esperarem mais algumas “rodadas” para que o serviço se mostre realmente útil e funcional.

É assim, por exemplo, com a tão bem divulgada rede 4G. Assim, no momento de investir vultosas quantias em grandes peças publicitárias e propalar a novidade as operadoras demonstram um incrível senso de urgência.

No entanto, quando se trata de proporcionar uma infraestrutura igual a de outros países, a injeção de capital é quase nula. Culpar a burocracia do país pela ausência de ERBs (Estação Rádio Base) suficientes parece nada mais do que uma mera conveniência.

Dessa forma, resta aos usuários se apegarem cada vez mais por planos de celular, na já frágil rede 3G. Mas, afinal, o que são ERBs e quais as diferenças entre as redes 3G e 4G? Confira algumas respostas na sequência.

 

Entendendo a internet móvel 3G

O termo 3G faz referência direta à terceira geração de tecnologias direcionada à telefonia móvel. A popularização da nomenclatura está tão fortemente associada ao uso da internet por meio do celular que muitas pessoas acreditam que o 3G se limita a isso.

Apesar de não ser apenas essa a função da internet móvel 3G, é a que mais chama a atenção, pois com ela foi possível melhorar, substancialmente, o fluxo do tráfego de dados. A ilustração mais clara disso é a comercialização dos modems 3G.

O problema é que a taxa de 6 Mb/s para download dificilmente é alcançada no Brasil. Grandes centros de grandes metrópoles, evidentemente, sempre serão exceção e por isso não podem ser usados como real parâmetro.

Internet_móvel_3G

 

A expectativa gerada em torno da tecnologia móvel 4G

Como qualquer evolução tecnológica, a tecnologia 4G veio para superar o 3G. Em princípio, falava-se em transferências de dados que oscilariam entre 10 Mb/s e 300 Mb/s para download e taxas de upload que iriam de 5 Mb/s a 75 MB/s. Mas, o tempo se mostrou, rapidamente, promissor.

O futuro do 4G está nas mãos da rede LTE (Long Term Evolution). No início, essa tecnologia não atendia aos pré-requisitos técnicos estipulados pela União Internacional de Comunicação, a ITU. Essas normas previam uma velocidade de transmissão de dados para download na casa de 1 Gb/s.

Aos poucos, a extravagante exigência foi sendo deixada de lado e, assim, as operadoras dos Estados Unidos começaram a adotar o nome comercial 4G.

A tão almejada velocidade 4G só foi realmente atingida após o desenvolvimento e implantação de outro projeto intitulado LTE-Advanced, que nada mais é do que um aperfeiçoamento da intenet móvel já existente até então. Com esse novo avanço, muitos países conseguem oferecer aos seus usuários uma rede estável e com velocidade de 1 Gb/s para receber arquivos e de 500 Mb/s para enviá-los.

Além da LTE-Advanced, outra rede 4G intitulada WiMAX. Basicamente, enquanto a primeira separa o tráfego de download e upload em canais distintos, a segunda o faz de fora integrada. A disponibilidade de cobertura varia de um país para outro. As duas redes coexistem em muitos países.

 

ERBs: em busca do sinal

Internet- móvel- ERBs

Em certos estados brasileiros já se tornou comum a realização de matérias jornalísticas com usuários tendo que se desdobrar para conseguir algum sinal da rede móvel 3G, que dirá da 4G. Segundo a Infonetics, uma consultoria estadunidense especializada em telefonia, o número de ERBs presentes no Brasil é mais do que insuficiente para atender a demanda que deve ser gerada por um evento das proporções de uma Copa do Mundo, por exemplo.

ERBs, nada mais são do que as populares “antenas”. São essas estruturas as responsáveis por captar o sinal e retransmiti-lo aos usuários. Logo, quando há escassez de ERBs, a qualidade do sinal sofre grandes oscilações de uma área para a outra. É

por isso que os moradores do estado do Acre, só para mencionar um exemplo, mal conseguem realizar ligações, quanto mais usar a internet através dos seus smartphones. Essa é a mesma razão que motiva a preocupação da Infonectics.

Embora, logicamente, tudo não passe de mera especulação, o fato é que a quantidade inferior de ERBs no Brasil pode gerar um “blecaute” na rede. Além da quantidade limitada de ERBs, o Brasil também tem outro problema: a frequência de 2.500 MHz escolhida para o 4G. Esse detalhe faz com que as barreiras do sinal sejam ainda mais intransponíveis.

Infelizmente, o Brasil está distante de propiciar aos seus usuários uma cobertura digna de internet móvel 4G. O grande teste será a Copa do Mundo de 2014. Depois, o país terá mais 2 anos para realizar ajustes e sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Resta aguardar e, literalmente, torcer.